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SOBRE

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Renato Morcatti é artista visual, vive e trabalha em Belo Horizonte, onde mantém seu ateliê no bairro Pirajá, lugar de nascimento e também território fundamental de sua pesquisa. Graduado em Comunicação Social pelo UNI-BH e em Desenho pela Escola de Artes Guignard/UEMG, construiu sua trajetória entre o desenho, a escultura e a experimentação com diferentes materiais, tendo a cerâmica como campo recorrente de investigação.

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Sua formação artística também se deu no contato direto com o fazer. Entre 2010 e 2020, atuou como assistente dos artistas Marco Tulio Resende e Thaïs Helt, experiência que ampliou sua relação com a gravura, a litografia, o desenho, a cerâmica, a produção e a construção de exposições. Ao longo desse percurso, participou da realização de projetos de importantes artistas e exposições em instituições brasileiras, experiência que contribuiu para desenvolver uma compreensão do espaço expositivo não apenas como lugar de apresentação, mas como parte constitutiva da obra.

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Sua pesquisa nasce de uma relação íntima com a CASA onde cresceu e com o entorno que a constitui. A arquitetura, os cômodos, portas, vãos, móveis, objetos, fotografias, vídeos e lembranças familiares são revisitados como arquivos vivos. O retorno à casa da infância não representa apenas um movimento autobiográfico, mas uma maneira de investigar como os lugares permanecem em nós e como a memória transforma aquilo que vemos no presente.

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O desenho é uma das matrizes desse pensamento. Mesmo quando se manifesta na escultura, permanece como gesto, estrutura e possibilidade espacial. Desenhar, modelar, entalhar, fundir, repetir e acumular são operações que se atravessam. A matéria deixa de ser apenas suporte para tornar-se lugar de inscrição do tempo, do corpo e da experiência.

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Ao longo de sua trajetória, Morcatti desenvolveu séries nas quais objetos reconhecíveis são deslocados de suas funções e transformados em signos: chaves, ferramentas,  montanhas, casas, ornamentos e elementos domésticos aparecem como fragmentos de uma narrativa maior. Em trabalhos como Nós, Segredos, Entre e Guardiões, a repetição e a multiplicação transformam pequenas unidades em corpos coletivos. Cada elemento é produzido individualmente, preservando sua diferença, mas encontra no conjunto uma outra dimensão de existência.

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A relação entre indivíduo e coletividade atravessa sua obra. O múltiplo não busca a padronização; ao contrário, revela as diferentes possibilidades de ser o mesmo. O acúmulo produz multidões, enquanto o fazer manual preserva a singularidade de cada peça. É nesse movimento entre unidade e conjunto, memória individual e experiência coletiva, que sua poética se constrói.

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Os Guardiões sintetizam outra dimensão recorrente de sua pesquisa: a relação entre corpo, trabalho e terra. Figuras humanas incorporam ferramentas agrícolas em suas cabeças, fazendo do instrumento uma extensão do corpo e do trabalho uma forma de conhecimento. A terra aparece, assim, não apenas como matéria, mas como origem, memória e campo de transformação.

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A cerâmica ocupa um lugar central nesse processo. O tempo da modelagem, a repetição do gesto e a transformação provocada pelo fogo introduzem na obra uma dimensão ritual e imprevisível. Em diálogo com a tradição da queima Bizen, Morcatti explora a ação do fogo sobre a matéria, permitindo que manchas, marcas e variações da superfície participem da construção da obra.

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A partir de Pirajá, sua produção passa a articular de maneira mais evidente memória, casa e território. A exposição, apresentada em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, reuniu centenas de esculturas e desenhos, consolidando uma pesquisa baseada na repetição, na aglomeração e na construção de conjuntos. Em trabalhos posteriores, como Passadiço, Casta, ME VI e Ilê da mona, essa investigação amplia seus campos de interesse, aproximando memória, paisagem, corpo, cultura, ritual, cor e identidade.

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Em sua produção mais recente, a casa deixa de ser apenas uma lembrança arquitetônica para se relacionar com a paisagem e com a própria ideia de pertencimento. A montanha, a terra, os objetos domésticos e os vestígios familiares passam a compor uma mesma cartografia afetiva. O que antes estava dentro da casa encontra a paisagem; o que estava no passado reaparece no presente; o que parecia objeto torna-se corpo, território e memória.

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Sua pesquisa é, portanto, atravessada por um movimento de retorno. Retornar à casa, aos objetos, à terra, aos gestos e às imagens não significa reconstruir o passado, mas produzir novas formas para aquilo que permanece. Entre desenho e escultura, entre matéria e memória, entre o íntimo e o coletivo, Morcatti constrói uma obra em que a experiência pessoal se transforma em campo aberto para pensar os modos como os lugares, os objetos e os gestos continuam a nos constituir.

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CURRICULUM

Bienal

Individuais

Coletivas

Atividades profissionais,
produção e colaborações

Publicações

2023–2024 — Cerâmica no Brasil — do Ancestral ao Contemporâneo, 2ª Bienal Internacional de Cerâmica de Jingdezhen, China.
18 de dezembro de 2023 a 15 de junho de 2024.

2026 — A sombra da Ânforas. Lemos de Sá Galeria, Belo Horizonte, MG. 01 de agosto a 07 de setembro.

 

2021 — Ilê da Mona. Galeria de Arte Contemporânea Periscópio, Belo Horizonte, MG. 24 de julho a 21 de agosto.

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2019 — Pirajá. Caixa Cultural São Paulo, São Paulo, SP.
28 de agosto a 3 de novembro.

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2018 — Pirajá. Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ.
20 de julho a 26 de agosto.

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2018 — Casta. Galeria de Arte da CEMIG, Belo Horizonte, MG.
3 de julho a 19 de agosto.

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2018 — ME VI. Galeria de Arte do BDMG Cultural, Belo Horizonte, MG.
20 de julho a 30 de agosto.

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2018 — Passadiço. Instalação de arte pública, Projeto Tec-Nô, Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro, RJ. 4 de junho a 5 de agosto.

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2017 — Pirajá. Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG.24 de junho a 14 de agosto.

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2017 — Pirajá. Museu Nacional da República, Brasília, DF.
9 de março a 28 de maio.

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2026 — A Coisa Drag. Mac Niterói, Niterói, RJ.

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2025 — A Coisa Drag. Centro Cultural UFMG, Belo Horizonte, MG.

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2022 — Tramas da Memória. Museu de Artes e Ofícios, Belo Horizonte, MG.

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2020 — Além do Traço. Organização de Bruno Faria, Belo Horizonte, MG.

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2018 — Art Weekend São Paulo. Galeria Emma Thomas, São Paulo, SP.

Representado pela Galeria Periscópio, Belo Horizonte, MG.

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2018 — Exposição comemorativa dos 30 anos do BDMG Cultural, Belo Horizonte, MG.

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2016 — Mostra dos premiados da XV Mostra Interna da Escola Guignard — UEMG. Galeria da Escola Guignard — UEMG, Belo Horizonte, MG.

2021 — Diretor de execução artística da instalação Solidão, esquecimento e vestígio, de Claudia Renault, Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro, RJ.

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2019 — Diretor de execução artística da instalação Narrativas, de Chico Cunha, Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro, RJ.

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2018 — Produtor local da exposição 100 Anos de Athos Bulcão, Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte e CCBB Rio de Janeiro.

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2017 — Produtor local da exposição Entre Nós — A Figura Humana no Acervo do MASP, Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte.

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2017 — Montagem da exposição Los Carpinteros: Objeto Vital, Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte, em parceria com a Nível Produtora, Belo Horizonte, MG.

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2016 — Coordenador de produção da exposição O Direito à Preguiça, de Nuno Ramos, Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte.

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2016 — Editor das litogravuras de Eder Santos para a exposição Estado de Sítio, Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG.

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2016 — Montagem da exposição Um Trágico nos Trópicos, de Iberê Camargo, Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte, em parceria com a Nível Produtora, Belo Horizonte, MG.

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2015 — Produção e coordenação da exposição Códice — Do Risco ao Risco, de Amilcar de Castro, Marco Túlio Resende e Thaïs Helt, Museu Vale, Vila Velha, ES.

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2015 — Produtor editorial do catálogo da exposição Códice — Do Risco ao Risco, Museu Vale, Vila Velha, ES, com direção da 4ART, Brasília, DF.

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2015 — Participação na produção de estúdio, no Rio de Janeiro, para a exposição Utopia Lírica, de Vicente de Mello, CCBB Brasília, DF.

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2014 — Montagem da exposição Barroco — Prata e Ouro — Brasil e Itália, Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte, MG, em parceria com a Nível Produtora.

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2014 — Montagem da exposição Gênesis: Uma Viagem Dentro de Mim Mesmo, de Sebastião Salgado, Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, em parceria com a Nível Produtora.

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2014 — Organização editorial do livro de arte de Marco Túlio Resende, publicado pela Editora C/Arte.

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2014 — Produção da mostra Diários, de Marco Túlio Resende, para lançamento do livro, Galeria de Arte Celma Albuquerque, Belo Horizonte, MG.

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2013 — Montagem da exposição de desenhos de Andrea Lanna, Espaço Cultural CEMIG — Galeria de Arte, Belo Horizonte, MG.

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2013 — Produtor local da exposição Amilcar de Castro — Repetição e Síntese, Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Belo Horizonte, com curadoria de Evandro Salles.

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2013 — Criação de xilogravura para campanha institucional do Instituto Inhotim. Registro do processo de criação em vídeo.

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2012 — Coordenação do feitio das telhas e montagem dos telhados da instalação Ai, Pareciam Eternas! (3Lamas), de Nuno Ramos, Galeria de Arte Celma Albuquerque, Belo Horizonte, MG.

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2012 — Produção da exposição comemorativa dos 60 anos da CEMIG, Espaço Cultural CEMIG — Galeria de Arte, Belo Horizonte, MG, com Marco Túlio Resende.

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2011 — Montagem, produção de vídeo e catálogo da exposição Cerâmica, Galeria Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG, Ouro Preto, MG, com participação de 12 artistas.

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2011 — Produção e montagem da exposição Ex-Libris, de Marco Túlio Resende, Galeria Livrobjeto, Belo Horizonte, MG.

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2011 — Curadoria, produção e montagem da exposição Encontros Cerâmica, Galeria do Centro Cultural de Contagem, MG, com participação de Antônio Costa Dias, Erli Fantini, Fátima Pena, Marco Túlio Resende, Roberto Lott e Thaïs Helt.

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2010 — Participação na montagem da exposição coletiva Quando a Argila Fala, com produção da ceramista Erli Fantini, Galeria do BDMG Cultural, Belo Horizonte, MG.

2023–2024 — Cerâmica no Brasil — do Ancestral ao Contemporâneo, 2ª Bienal Internacional de Cerâmica de Jingdezhen, China.
18 de dezembro de 2023 a 15 de junho de 2024.

Belo Horizonte   .    Brasil     © Renato Morcatti     Todos os direitos reservados.
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